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Novo dia,vida velha.

 Um dia eu fugi de casa, Mas ninguém se importa, Eu fui e voltei, Fico retornando sempre do mesmo jeito, Esse tédio de existir,  Medo de entrega, Mas pra quem eu daria alguma coisa? Alguém quer.... E pra quê... Prefiro brincar de cosplay de casalzinho, Do que realmente adicionar passarinho no ninho, Ouvi grito, O bastante pra ele fazer falta, É loucura, eu sei. Quero que alguém me enfrente, Pra ver se realmente eu quero,  Fugir de casa novamente.

Renovar

  Tudo morre, Mas também se corre, O tempo parece estar contra, E o desejo de resolver se torna um problema crônico, Da onde vem essa graça, De que tantas asas poderia ser Garça, Aonde se morre, Continua se vivendo aos montes, Partida são redemoinhos tristes, Mas aí se esquece facilmente o que se foi, Me falaram prazos e eles não se cumpriram, Aí entendi que de verdade, verdadeira, Ninguém sabe nada... E ainda sim a areia escorre, contando o tempo, Acreditar e ter esperança é como crer no vento, E que fico absorto em pensamentos.      

Memória de colo.

 Esses hormônios,  Ainda vão me enlouquecer, Porque determinado hormônios,  Me faz querer, Tenho flashes e neles alguém me abraça,  Mas isso logo passa, Quando criança era pesada demais pra colo, Então raramente via o mundo de cima, Não encontro aconchego, Nem tô encontrando rima, Até porque me encontro em ilha, Aqui arquipélago,  Lembro de um colo que me deram, E ficou pra sempre aqui gravado, Eu preciso de você,  Ou só estou esperando recado?

Ato primeiro da cutucação.

 Me mexo, Mas ate no mínimo movimento sinto o mundo todo nas costas, Queria me sentar confortavelmente e ouvir alguém contar historias, Por horas, Pode ser que por anos, Tudo e nada são inconstantes, Demais e eu me perco em um instante,  Porque pisquei,  Você me deixou, Ou fui eu que me levei embora? Sempre tantas perguntas, E nenhuma vai ter resposta que valha a pena, Será que perguntar é tão importante quanto dizem? Eu sou eu, Você é você,  Existimos,  Mas não na mesma forma,nem núcleo,  Somos humanos... E até nisso tem medida, Hoje fiquei me cutucando com as unhas, Mesmo sabendo que não pode, E nisso fico enrolada, Feito os chifres do bode.

Desenhos

  Quando crianças somos imaginação , Olhamos pra cima quase que o tempo todo, Tudo é tão grande..... Dentro da cabeça a criança está lá, Mesmo que já madura está, Podia e queria continuar brincando, Pena que o corpo não acompanha a cabeça, Sinto falta de quando olhava pra cima, Mas tem essa voz que diga esqueça, Permaneça, Não se endureça, Porque tudo é vão, O que é liquido escorre na vala, Quanto tempo pra acabar o desenho será que falta?

A creche dos sonhos adultos.

 Era uma vez, Era uma criança,  Mas ela não podia ser, Senão a casa de bonecas ia ruir, E as coisas na sua cabeça iam cair. Em outra vez essa criança cresce,  Pra cima, pros lados.... Mas em volta só vê crianças,  E acha graça,  Afinal crianças são tão bonitinhas.... Acha fascinante enquanto vê essa criança,  Fazendo birra, Se debatendo, Porque ninguém controla ela afinal? Existe um preço em se deixar essa criança aonde ela deveria estar, Mas não somos todos que pagamos, Acho graça na birra alheia,  Como criança grande,  Nessa grande creche dos desejos, Porque,talvez, Tenha inveja de quem nunca abandonou essa criança,  Porque eu nunca fui.

Solitária

  Em filmes sempre nas penitenciárias, Tem a tal da solitária, Que quando se comportam mal é lá que ficam , Mas na vida, As vezes é real, Ficar preso e sozinho, Mas foi você que se prendeu realmente, Eu faço contas, Que nunca batem, Olho pra realidade, Não vejo graça nenhuma, Dissocio, E nisso associo brincadeiras de adulto, Quem é você na madrugada que ninguém realmente vê, Suas limitações de ser, Me fascinam, Enquanto nado no meu próprio desespero, Porque não posso fugir da realidade, Ela sempre a espreita, Preparada pra atacar.  

Cigarros

  Um homem, Disse que ia comprar cigarros, E nunca mais voltou, Enquanto isso na estação da minha vida, Queria deixar algumas malas e seguir viagem, Mas eu não sou homem, E corajosamente carrego essas malas, Tem dias que eu suo, Minha temperatura corporal desregula, Sorrio tentando disfarçar a palidez, Mas eu sempre invento de olhar meus olhos no espelho, Eles espelham solidão, Dessa que nada pode abortar, Enquanto dissocio criando histórias que eu só sei como encontram desfecho, A estação muda de lugar, Aumenta o preço dos bilhetes, E as malas se multiplicam, Não sei quem eu seria sem bagagem, Nem se fosse comprar cigarros.

Eu escrevo,você me apaga.

 Eu escrevo, Porca, Eu existo, Gorda,baleia saco de areia,comeu banana podre morreu de caganeira... Alguém grita,  Gostosa, Mas no escuro não sei quem falou, Eu tento apagar a lembrança, Lixo,lixo,lixo Além do que eu existo, Parece estar sempre em conflito, Não falo a mesma língua que a sua,  Sempre nervosa, porque os nervos se ativaram lá na infância , Mesmo assim eu te amo, Mas, queria que você nunca mais falasse, Eu não sou como você,  Por isso que é tão difícil conviver, Não quero que ninguém seja triste, Mas também não quero te fazer feliz, Isso seria um contador de pingos, Em um abismo abismal,  Eu vou deixar de existir em algum momento, Minha felicidade existe, Nesse lugar de eu não ser você. 

Limiar de dor

  Quero chorar, Que se ajunte tanto, Que em rio de lagrimas possa nadar, Quem sabe se eu flutuasse, E assim entrasse em estado de analgesia, Acendo um cigarro, Queria ter lagrimas pra apagar a chama, Tem doído tanto, Engraçado, Antes tinha saúde corporal de sobra, Mesmo assim todo mundo odiava, Ate que eu também entrei no coro, Oh lá lá Oh lá lá Vamos nos odiar, Hoje mesmo com mais saude mental, Colho os louros do seu ódio, Porque machucou tanto dentro, Que parece o corpo está todo cortado, Que a vida é injusta eu já sei, Porque mesmo se quisesse não tinha como devolver tanta, maldade das suas palavras, Eu hoje criança grande, Corpo atrativo nas sombras, Tentando entender como cheguei nesse ponto, É sentar nesse trono espinhoso até a morte vir buscar?

Sombras do meu eu.

 Brinco de pique esconde com a vida, Mas a dor de existir, sempre acaba me achando, As vezes nos pesadelos me escondo em poças rasas,  Eu tento compreender, Mas isso mesmo me escapa, Nado no raso dos outros,  Porque essa simplicidade me encanta, É tudo tão preto no branco, Enquanto por dentro sou toda colorida, Esse mar de profundidade, É inútil,  Porque eu não consigo me compreender,  Tem tantas interpretações, me perco em personagem, Porque não quero protagonismo, Quero ser coadjuvante, Mas a vida é minha, Mas parece que não sou eu, Que escreve essa historia.

Crianças

  Éramos inocentes , Porque achávamos que sabíamos, Era um tiquinho maior e com mais idade, E seu corpo já denotava maturidade, Que dentro não existia, Porque a vida mostrou seu lado feio, Enquanto brincávamos de casinha, Décadas se passaram, Eu fico vendo suas feridas abertas, Já me senti responsável, As vezes a sua dor me ultrapassou, Mas que criança tem maturidade? As coisas se aconteceram e foram doloridas, Mas realmente a culpa do que foi, Não foi minha....

Sombras

 Quando criança invoquei com a minha sombra, E a ficava perseguindo, Ate hoje não entendo o fascínio,  De alguma forma acabei aprendendo, A ver e lidar com as sombras alheias, Ninguém é só sombras, Nem cheio de luz feito vagalume, O fato de aceitar, O que nem sempre é aceitável,  Vem do lugar de um ser frustrado que tentou, Tentou e perdeu, Afinal ninguém muda na essência,  Não da pra criar casas na ilusão que elas nunca vão desmoronar, A água dos olhos turvam, Mas a própria agua leva tudo embora, Então eu aceito, Isso não me faz palhaça, Só economista da carga alheia, Afinal quem você é não é problema meu, E as sombras só aparecem na luz.

Fantasiados

  Quem sou eu dentro, Das fantasias que performa, Quem eu sou, Vivendo, Sangrando, Rindo do perigo, Mostrando o dedo do meio pras adversidades Eu nunca entendo sua lingua, Deve ser porque a sua nunca tocou a minha, Numa vida normal a gente nunca seria um par, Nem nas fantasia somos, Porque eu perdi o cadarço, Que amarrava meus pés.

Prudente

  Nasci e algum tempo depois, Gelo caiu do céu, Muito nova, Reconheci, E vi, Sem parar a crueldade, Risos nem sempre compõem, A Alegria, As vezes o cerne do ser humano, Me dá alergia, Hoje em dia me alegro, Porque o medo ficou na infância, Sou mais prudente, Mesmo rangendo os dentes, Não é o medo que me dirige, Sim o discernimento, Porque desde o nascimento, A aceitação não vem, Ela não vai vir, E isso realmente não importa, As todos filhos da puta, Que me aclamaram, Fecho as portas.

Terror

  Nos filmes as “mocinhas “nunca correm pra o lugar correto, Abjeto meus sentimentos, Porque eles não cabem, Porque será que sinto o cheiro do medo, Me mostro crua, praticamente vertendo sangue dos poros, Enquanto digo claramente, Você não me quer. Mas seu medo de perder a fantasia que me colocou é ainda mais forte e permanece, Nesse estado de caos, Eu observo a vastidão do abismo, nas suas palavras, Eu não performo amor, Minha ética não permite, Mas posso ter carinho até por predadores, Porque cada um tem seu papel, E o meu não é mexer na essência alheia, Sinto falta de ser realmente desejada, Porque o vento me toca, E me causa dores, Te falta coragem, E na minha vida amores.  

Masturbação Mental

  Na cela dos desejos escondidos, Te vejo, Porém não consegue me ver totalmente, As pessoas querem me esconder, E é impossivel, Porque ocupo lugar visual, E aparentemente mental, Então nas madrugadas, Os desejos se encontram, Se masturbam simultaneamente, Mas o gozo nunca vem realmente, O orgasmo nada mais é um incômodo gostoso,numa explosão de sentidos, Seja solitário, Seja acompanhado, Fico nesse lugar de musa de desejos alheios, Mas nem pedi esse papel, Mesmo sabendo que tenho controle total, Que posso sair de cena, Deixar o palco, Eu ainda não quero, Eu não tenho preparo, pra viver algumas coisas novamente, Então vejo seus ensaios, As mentiras que conta pra si mesmo, Eu aceito as pessoas como são, Piamente, só por ser, Queria que entendesse que realmente não sirvo pra você.  

Necessito

  As pessoas sonham, Enquanto o meu eu encontra paralisia, As pessoas estão correndo, Procurando normalidade, Tentando serem parecidas com outras, Eu quero ficar boiando, olhando pro céu, Vegetar é preciso, Assim encontro minhas raizes, Tenho impulsão de vulcão, Corto o cano do óleo do freio, Fico de canto vendo a fogueira, Enquanto isso sinto emoção por todos os poros, Não se precisa de freio, quando se saber o quer... Enceno cenas, Na minha cabeça, Na cabeça dos outros, Observo o desejo alheio de microscópio, Mas tem dias, que sinto falta de calor, Por mais que me ocorra horror, Eu não tenho medo, Mas também não estou correndo atrás, dos que os outros tem.  

Pragmatismo

  Sinto dores, Que não tem resolução, Me sinto amarrada em um poste, E o anoitecer vem chegando, Alma corroída, Penso e penso e ainda continua doendo, Crio mundos, Para que neles eu possa sorrir, Entro nas suas loucas fantasias, Sem ao menos sentir, Me processo em realidade, Porque é aonde sempre estive, Me anestesio no prazer do meu coração bater, E conseguir ter amor pelas sombras das pessoas, Porquê não posso ter certeza, De como o futuro vai ser, Mesmo na sua ingenuidade, Tenho esperança de te ver crescer.  

Houve uma vez.

 Houve uma vez, Tanta paixão,  Tantas primeiras vezes pra mim, Houve uma carro, Cassia Eller tocando no radio, Houve olhares,  Muitos hormônios... Tantos planos de um futuro em conjunto, Houve entrega, Que eu nem podia dar, Você machucou meu coração e ele segue sangrando, Você passou um recado, E eu fico achando que entendi errado, O que mudou e foi tão de repente, Você se perdeu de mim na neblina, No rádio tocava, não tem explicação,  Não tem, Não tem explicação,  Explicação,  Não tem explicação,  Não tem, não tem.