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Mostrando postagens de setembro, 2026

Novo dia,vida velha.

 Um dia eu fugi de casa, Mas ninguém se importa, Eu fui e voltei, Fico retornando sempre do mesmo jeito, Esse tédio de existir,  Medo de entrega, Mas pra quem eu daria alguma coisa? Alguém quer.... E pra quê... Prefiro brincar de cosplay de casalzinho, Do que realmente adicionar passarinho no ninho, Ouvi grito, O bastante pra ele fazer falta, É loucura, eu sei. Quero que alguém me enfrente, Pra ver se realmente eu quero,  Fugir de casa novamente.

Renovar

  Tudo morre, Mas também se corre, O tempo parece estar contra, E o desejo de resolver se torna um problema crônico, Da onde vem essa graça, De que tantas asas poderia ser Garça, Aonde se morre, Continua se vivendo aos montes, Partida são redemoinhos tristes, Mas aí se esquece facilmente o que se foi, Me falaram prazos e eles não se cumpriram, Aí entendi que de verdade, verdadeira, Ninguém sabe nada... E ainda sim a areia escorre, contando o tempo, Acreditar e ter esperança é como crer no vento, E que fico absorto em pensamentos.      

Memória de colo.

 Esses hormônios,  Ainda vão me enlouquecer, Porque determinado hormônios,  Me faz querer, Tenho flashes e neles alguém me abraça,  Mas isso logo passa, Quando criança era pesada demais pra colo, Então raramente via o mundo de cima, Não encontro aconchego, Nem tô encontrando rima, Até porque me encontro em ilha, Aqui arquipélago,  Lembro de um colo que me deram, E ficou pra sempre aqui gravado, Eu preciso de você,  Ou só estou esperando recado?

Ato primeiro da cutucação.

 Me mexo, Mas ate no mínimo movimento sinto o mundo todo nas costas, Queria me sentar confortavelmente e ouvir alguém contar historias, Por horas, Pode ser que por anos, Tudo e nada são inconstantes, Demais e eu me perco em um instante,  Porque pisquei,  Você me deixou, Ou fui eu que me levei embora? Sempre tantas perguntas, E nenhuma vai ter resposta que valha a pena, Será que perguntar é tão importante quanto dizem? Eu sou eu, Você é você,  Existimos,  Mas não na mesma forma,nem núcleo,  Somos humanos... E até nisso tem medida, Hoje fiquei me cutucando com as unhas, Mesmo sabendo que não pode, E nisso fico enrolada, Feito os chifres do bode.

Desenhos

  Quando crianças somos imaginação , Olhamos pra cima quase que o tempo todo, Tudo é tão grande..... Dentro da cabeça a criança está lá, Mesmo que já madura está, Podia e queria continuar brincando, Pena que o corpo não acompanha a cabeça, Sinto falta de quando olhava pra cima, Mas tem essa voz que diga esqueça, Permaneça, Não se endureça, Porque tudo é vão, O que é liquido escorre na vala, Quanto tempo pra acabar o desenho será que falta?

A creche dos sonhos adultos.

 Era uma vez, Era uma criança,  Mas ela não podia ser, Senão a casa de bonecas ia ruir, E as coisas na sua cabeça iam cair. Em outra vez essa criança cresce,  Pra cima, pros lados.... Mas em volta só vê crianças,  E acha graça,  Afinal crianças são tão bonitinhas.... Acha fascinante enquanto vê essa criança,  Fazendo birra, Se debatendo, Porque ninguém controla ela afinal? Existe um preço em se deixar essa criança aonde ela deveria estar, Mas não somos todos que pagamos, Acho graça na birra alheia,  Como criança grande,  Nessa grande creche dos desejos, Porque,talvez, Tenha inveja de quem nunca abandonou essa criança,  Porque eu nunca fui.

Solitária

  Em filmes sempre nas penitenciárias, Tem a tal da solitária, Que quando se comportam mal é lá que ficam , Mas na vida, As vezes é real, Ficar preso e sozinho, Mas foi você que se prendeu realmente, Eu faço contas, Que nunca batem, Olho pra realidade, Não vejo graça nenhuma, Dissocio, E nisso associo brincadeiras de adulto, Quem é você na madrugada que ninguém realmente vê, Suas limitações de ser, Me fascinam, Enquanto nado no meu próprio desespero, Porque não posso fugir da realidade, Ela sempre a espreita, Preparada pra atacar.  

Cigarros

  Um homem, Disse que ia comprar cigarros, E nunca mais voltou, Enquanto isso na estação da minha vida, Queria deixar algumas malas e seguir viagem, Mas eu não sou homem, E corajosamente carrego essas malas, Tem dias que eu suo, Minha temperatura corporal desregula, Sorrio tentando disfarçar a palidez, Mas eu sempre invento de olhar meus olhos no espelho, Eles espelham solidão, Dessa que nada pode abortar, Enquanto dissocio criando histórias que eu só sei como encontram desfecho, A estação muda de lugar, Aumenta o preço dos bilhetes, E as malas se multiplicam, Não sei quem eu seria sem bagagem, Nem se fosse comprar cigarros.

Eu escrevo,você me apaga.

 Eu escrevo, Porca, Eu existo, Gorda,baleia saco de areia,comeu banana podre morreu de caganeira... Alguém grita,  Gostosa, Mas no escuro não sei quem falou, Eu tento apagar a lembrança, Lixo,lixo,lixo Além do que eu existo, Parece estar sempre em conflito, Não falo a mesma língua que a sua,  Sempre nervosa, porque os nervos se ativaram lá na infância , Mesmo assim eu te amo, Mas, queria que você nunca mais falasse, Eu não sou como você,  Por isso que é tão difícil conviver, Não quero que ninguém seja triste, Mas também não quero te fazer feliz, Isso seria um contador de pingos, Em um abismo abismal,  Eu vou deixar de existir em algum momento, Minha felicidade existe, Nesse lugar de eu não ser você. 

Limiar de dor

  Quero chorar, Que se ajunte tanto, Que em rio de lagrimas possa nadar, Quem sabe se eu flutuasse, E assim entrasse em estado de analgesia, Acendo um cigarro, Queria ter lagrimas pra apagar a chama, Tem doído tanto, Engraçado, Antes tinha saúde corporal de sobra, Mesmo assim todo mundo odiava, Ate que eu também entrei no coro, Oh lá lá Oh lá lá Vamos nos odiar, Hoje mesmo com mais saude mental, Colho os louros do seu ódio, Porque machucou tanto dentro, Que parece o corpo está todo cortado, Que a vida é injusta eu já sei, Porque mesmo se quisesse não tinha como devolver tanta, maldade das suas palavras, Eu hoje criança grande, Corpo atrativo nas sombras, Tentando entender como cheguei nesse ponto, É sentar nesse trono espinhoso até a morte vir buscar?

Sombras do meu eu.

 Brinco de pique esconde com a vida, Mas a dor de existir, sempre acaba me achando, As vezes nos pesadelos me escondo em poças rasas,  Eu tento compreender, Mas isso mesmo me escapa, Nado no raso dos outros,  Porque essa simplicidade me encanta, É tudo tão preto no branco, Enquanto por dentro sou toda colorida, Esse mar de profundidade, É inútil,  Porque eu não consigo me compreender,  Tem tantas interpretações, me perco em personagem, Porque não quero protagonismo, Quero ser coadjuvante, Mas a vida é minha, Mas parece que não sou eu, Que escreve essa historia.