Orfãos

Sempre tive medo,
E eles se concretizaram
Vesti a pele de mulher casada,
Para fingir que o filho tinha pai.

Eu não acho nada justo,
Pais participam e são metade,
Mas na hora que a coisa pega,
São deixados por todos,
 Que façam o que bem quiserem.

Essa criação de mulheres que tudo aguentam,
Que sangram e choram sozinhas,
As outras mães aconselhando,
Deixa pra lá,
Cuida do teu bem,
Eu sei que valia tem meu sangue.


Mas também queria justiça,
Porém não é cobrado do mesmo jeito,
E quando se força,
Acontecem coisas piores que o desleixo,
Pais podem ser crianças eternas fazendo merda.

Já as mães aguentam,
Com tudo doendo,
Vão em frente,
Mesmo cheias de medo.

Estou tentando aceitar,
Que as coisas são assim,
E assim são,
Não adianta queimar vela,
Some resta chorar no vão.

A verdade que vestindo certas peles,
Era tão infeliz,
Forçando algo que deveria ser natural.


Eu fazendo drama,
Na minha mente desgastada,
Eu sou a mãe integral,
Cheia de fibras e cansada.


O mundo não é justo,
Fica sempre se ajustando,
Mas mulheres na verdade,
Passam pano.

Eu não estou sozinha,
Existem milhares na mesma situação,
Chega a ser corrupto o sistema,
País fogem de filhos vivos,
E nem entram em dilema.

Eu queria poder gritar e bater o pé,
Mas só tenho forças ,
Pra ficar indignada,
Sozinha,
Só ouço é assim mesmo,
E assim é,
Cuida do que é teu,
É seu dever,
Sua missão,
Mas enquanto eu sorrio por fora,
Minha alma cansada,
Chora no vão......





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