Desde muito pequena,eu sinto que eu funcionava diferente,ficou muito claro quando entrei na escola, óbvio que a aparência redondinha não ajudou muito.
Afinal ser aceita foi uma busca,mas ela se encerrou,entrei em luto quando deixei de tentar agradar pessoas e conceitos que não me agradavam,porque nunca me serviriam,se eu não aceitasse seria pra sempre eu,em um provador de lojas,naquela esperança de uma roupa , caber no meu grande popotão, até hoje passo mal em provadores infelizmente.
Quando recebi diagnóstico de TAB muita coisa se encaixou então o choque foi pequeno, depois de muito sofrimento interno,me tornei pragmática,pra mim é mais fácil aceitar a realidade como é.
Eu vago sempre na esperança que conceitos sociais mudem se adequem e aceitem todos nós.
Fico triste quando noto,que vou morrer e ainda não vou ver mudanças,parece que estamos sempre com medo de nos tornarmos mais conscientes,afinal somos crianças grandes,com responsabilidades e muita,muita pressão interna.
E a popularização da internet,trouxe a pressão externa,pessoas que são produtos de um sistema,que são pagos,pra criarem palcos,seja assim, faça assim,compre isso aqui e seja feliz, então aqueles sorrisos brancos assustadores,toda vez me pego arrepiada lembrando do clipe do Soundgarden, Black hole sun.
Mas aquilo tudo ali,nos perfis mais acessados e uma encenação arquitetada.
Tudo vira questão de perda de peso, gratidão e agirmos mais parecidos,como se isso fosse possivel.
A obesidade por exemplo,que é uma doença multifatorial,traduzindo não é o mera sintese de comer mais do que gasta de energia,assim acumulando gordura,tem hormônios, questões psicossociais,cada individuo,vai ter uma história e precisar de ajuda externa,dinheiro e uma força pessoal enorme pra tentar reduzir tudo ali,que construiu em volta dos ossos,eu não cheguei nem perto disso,usando como exemplo,sempre estive focada no sobreviver.
Hoje me vejo cansada dos trilhos que me meti.
Sempre sou eu , notando que o lugar não me cabe,buscando melhoras,lutando pra conseguir dinheiro e me fudendo de um jeito que não tem nada de prazeroso.
Lidando com pessoas que dizem me amar,mas que no fundo eu só pareço ser uma função na vida delas,se eu amasse alguém imagino que aceitaria as escolhas dessa pessoa e ia apoiar,da melhor forma que eu conseguisse.
Ninguém que não vive algo parecido,por exemplo mãe solo atípica entende o lugar que eu ocupo no ecossistema.
Eu sou uma ferramenta na vida do meu filho,sou rotina,sou uma tradutora do mundo,muitas vezes,autismo no grau 2 e deficiência intelectual leve, não limita por si só,
Mas vida social é complexa demais,quando me acusam de isolamento,por onde eu moro,noto que não entendem mesmo o que eu passo,e eu não preciso destrinchar a minha rotina nem expor pra que entendam ,afinal tenho maturidade de sobra, entendo bem o que eu faço porque faço e opinião de quem não faz idéia não me ajuda em nada.
Eu ja recorri a tudo que podia,sempre fui pobre as coisas sempre foram difíceis,mas poxa a vida não tem ajudado,sempre me sinto exposta aonde não precisaria.
Eu estou sem esperança de ter um vento confortável a meio o inferno pessoal existente.
Mães solos precisam de rede de apoio,moral e.financeira e mesmo assim estão sofrendo por ai.
A preocupação constante com o filho é real e dura.
Eu me sinto bastante sozinha e não quero ouvir soluções de ninguém,porque já estou no limite por minhas próprias limitações, já que eu também sou neuro atípica,com sensibilidades a cheiros ,sons e conversas extenuantes .
Ja performo o bastante socialmente pra ficar dias na cama, após uma saída,me sinto com varios pratos girando nas varetas e que eles vão cair,mas isso é a ansiedade generalizada falando.
É uma pena sentir que existem 6 pessoas,em 8 bilhões de viventes no planeta,que posso confiar minhas reclamações sem risco de julgamento,mas elas existem e me sinto agraciada por elas.
É como se ao meio a uma grande multidão,estivessem ali vai vai você consegue.
Então enquanto lido.com burocracias jurídicas,que estão acabando com a minha sanidade e lido com as alegrias de aprendizagem do meu lindo filho, só fico tentando não deixar que a angustia de não saber o que será da gente não me enterre.
Eu sei que agi certo e fiz o que era preciso
e só isso já me basta.